Sobre a Psicóloga Jéssica Mattos: Uma trajetória de escuta, curiosidade e humanidade
Nasci e cresci em uma cidadezinha de interior, no Rio Grande do Sul, que ainda hoje tem menos de 80 mil habitantes, e um ritmo de vida mais lento, que me permitiu muito tempo ao ar livre, cercada do mundo, de bicho e de gente. Eu sempre gostei muito do mundo. Sempre gostei muito de gente. Cultivo desde pequena uma curiosidade sobre as coisas que me cercam, o outro, e as coisas que o cercam. Sempre gostei muito de ouvir histórias, de entende-las, e de questiona-las. Sempre fui muito questionadora.


O caminho até a Psicologia e a busca pelo “meu lugar”
Questionava o sentido das coisas, porque eram como eram. e porque as pessoas são como são. Questionei rótulos, obrigações, posições e verdades.
Quando a psicologia surgiu na minha vida, na época do ensino médio, não foi difícil me identificar com ela. Por muito tempo eu senti falta de ter certeza sobre “um lugar meu”, algo que fosse ser o meu “sonho pra vida”, pois sempre transitei em diferentes grupos e espaços, e a psicologia fez sentido. Fez sentir. Do pouco que eu compreendia até então, ela tinha a ver com gente, transformação, e respostas. Três pontos que ressoavam (e ressoam ainda) muito em mim.
Eu queria transformar a vida das pessoas. Fazer a diferença. Consertar o mundo – quem não quer?
A Jéssica criança já se doía com as injustiças e desigualdades, e possuía muita fé no melhor das pessoas. Distribuía abraços, carinhos, afetos e bons papos com quem quer fosse.
Mas embora essas caraterísticas tenham influenciado minha decisão, não foram elas que a guiaram. Quando eu escolhi a psicologia, meu intuito era na verdade atuar na marinha. Meu pai é militar, e parecia fazer sentido, de algum modo, seguir seus passos. A forma de ingresso era com ensino superior, havia vaga para cursos, e entre odonto e psicologia, eu escolhi a psico.
Prestei vestibular, sob questionamentos de minha família, que incentivava que eu cursasse direito. Passei. Comecei a faculdade, no inicio com a visão de que a psicologia se resumia a Freud, e cheia de crenças de senso comum, do tipo “psicóloga tem que ser calma e quieta”, etc – tagarela que sou desde que me entendo por gente, fiquei com medo de estar no lugar errado.
A psicanalise ofertava explicações pro desenvolvimento humano que eu achava fascinante, mas não era onde eu me enxergava. Eu não me enxergava naquele fazer que pra mim representava a psicologia. Isso, somado ao senso de responsabilidade com que eu via a função de cuidar da saúde mental das pessoas, apertou a cobrança pessoal, mais do que eu tinha maturidades para lidar na época.
Tranquei a faculdade. Me formei em Gestão de Recursos Humanos, ainda movida pela paixão por pessoas e o desejo de fazer a diferença. Mudei de país após a formatura.
A experiência de viver o mundo: 15.578 km de distância
Vivi dois anos na Austrália, a 15578 km do Brasil, longe de tudo que eu conhecia, e de quase todos. Sem saber falar a língua, nem nunca tendo morado sozinha antes. Eu tinha 21 anos na época, e dar esse passo me permitiu viver algo que eu sempre havia sonhado: explorar a minha curiosidade. Ter contato com mais lugares, mais gente, mais histórias. Convivi em um só lugar com o mundo todo, e depois de lá visitei outros lugares no mundo. Todas as vezes curiosa e disposta. Não sabia o que me esperava e era exatamente isso que me motivava: a possibilidade de ser. A infinitas possibilidades de ser e existir.
Considero privilegiada, pois conhecer as diferenças no mundo me ajudou a compreender ainda mais sobre as diferenças no lugar de onde vim, e sobre como somos de fato impactados pelo ambiente que nos cerca. Isso me fez desenvolver ainda mais respeito, não só o outro, suas culturas, e diferenças, mas também pela cultura que fez de mim a pessoa que eu era enquanto experimentava o mundo. Me permitindo ainda ser um alguém novo e diferente. Com flexibilidade, e sem julgamentos. Foi nesse caminho que acomodei aquela necessidade antiga de ter “um lugar meu”, pois descobri que podia pertencer a todos os lugares, e todos os lugares podiam me pertencer.
Ainda na Austrália fiz minha primeira formação em Mindfulness, e de novo foi uma identificação fácil. Fez sentido. Fez sentir.

Especialização em Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e Prática Clínica
Quando voltei de lá, em 2018, voltei para a psicologia. Fiz outras formações e cursos, de Psicologia Perinatal e Saúde Mental Materna, Sexualidade do Casal, Mindfulness, Atuação no SUS e ACT. Estagiei em Projetos Sociais voltados ao atendimento de crianças e Adolescentes em situação de vulnerabilidade social, e ajudei na condução de um Grupo de Acolhimento à mães que vivenciaram perdas perinatais… Conheci outras psicologias, e descobri que o fazer do psicólogo é na verdade mais feito de perguntas do que de respostas. Mas aprendi a abrir espaço para as incertezas. Colei grau já sem medo de estar no lugar errado, pois descobri na falta de certezas a possibilidade de construção, e de reconstrução quando necessário, de um lugar valoroso pra mim. Baseado principalmente no respeito e na ética.

100% Humana: Sensibilidade para entender vivências
Mais de 10 anos se passaram do inicio da minha graduação á conclusão, e ao longo de todo esse tempo eu nunca deixei de estudar, pesquisar, me desenvolver, e viver. Porque um psicoterapeuta precisa entender mais do que teoria e técnicas. Precisa ser sensível o suficiente pra entender vivências. Preciso antes de tudo ser humano. 100% humano – incluindo toda falha e vulnerabilidade que isso engloba. Através das minhas viagens exercito minha humanidade. Através dos almoços em família. Das danças com a minha sobrinha. Das tarde com as amigas. Tomando chá de maça com canela enquanto vejo o sol se por da varanda de casa. No voluntariado. Na praia admirando a imensidão do mar. Ouvindo MPB. Escrevendo poesia. Assistindo filmes de drama, comédia ou romance. Em exposições de arte. Sorvendo um chimarrão com meu noivo. Me posicionando pela promoção de direitos humanos, e valorização de políticas públicas. Experimentando ser ruim em coisas novas. Sentindo o sol na pele…. E também em cada estudo, curso, leitura. Em cada troca.
Vamos construir uma vida que faça sentido para você?
Sempre movida por essa sensibilidade, curiosidade, respeito e admiração sobre o ser humano; pela vontade de cuidar, ajudar e transformar, e pelo o sonho, antigo e quiçá utópico, de um mundo onde as pessoas vivam com mais qualidade de vida e bem-estar. Hoje eu entendo o quanto isso tem a ver com valores. Que não se trata de estar tudo bem e perfeito, mas de viver uma vida que faça sentido. E isso é possível!
Minha missão é contribuir para promoção do respeito, da liberdade, da autonomia, da empatia, da compaixão, e para a construção de um olhar atento, curioso, flexível e autentico. E te ajudar a viver esse possível!